domingo, 31 de janeiro de 2010

As coisas que só o Correio Braziliense faz pelo Arruda

Está cada vez mais difícil ler o Correio Braziliense. Omissão de notícias importantes, manipulação constante, enfim, quem acompanha o que acontece atualmente na política do Distrito Federal sabe que o jornal não retrata a verdade.

Neste fim de semana, mais uma vez, o jornal saiu em defesa do governador de uma forma até comovente. No sábado, no alto da capa, letras brancas em um fundo negro acusam: "Dinheiro de Durval foi para Roriz e Abadia". A afirmação é de José Luiz Naves, um dos filmados recebendo dinheiro. Não lembra dele?





Pois bem: vamos acreditar no senhor Naves e aceitar que aquele dinheiro era para a campanha do Roriz. Mas daí colocar uma chamada na capa do jornal dando a entender que a distribuição de dinheiro ficou restrita às eleições de 2006 é de uma má-fé sem tamanho.

Para os jornalistas do Correio Braziliense lembrarem, na maioria dos vídeos divulgados aparece a foto do governador Arruda ornamentando a sala de Durval Barbosa, o que prova que a distribuição de dinheiro era atual.

Antes que nos critiquem, é preciso destacar que acreditamos realmente que todo este esquema sujo começou no governo de Joaquim Roriz, e que ele também deve ser responsabilizado. Mas não podemos aceitar que tudo aconteceu apenas no governo passado.

Já na edição deste domingo, o Correio Braziliense traz uma entrevista com o senhor Reginaldo de Castro, ex-presidente da OAB. O jornal deve ter suado para encontrar alguém disposto a manchar sua credibilidade para afirmar que faltam provas "substanciais e conclusivas" contra o governador Arruda e que a Justiça não deveria ter se intrometido afastando os deputados da Câmara Legislativa.


O melhor vídeo

Aproveitando, vamos postar o melhor exemplar da videoteca de Durval Barbosa. É o registro do empresário Gilberto Lucena reclamando com Durval Barbosa da pressão para pagamento da propina. A frase a ser destacada é falada aos 3:24.





Durval: "É o Arruda, teu amigo..."
Lucena: "Não é meu amigo não, é amigo do capeta!"

Em tempo

A única obra que o Arruda tem visitado nos últimos tempos é a da Torre de TV Digital. Lá é garantido que nenhum manifestante vai incomodar. E é garantido também que o Correio Braziliense vai abrir espaço para uma foto.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O discurso do Alírio Neto

Para quem ainda acha o Correio Braziliense um jornal sério: ontem Alírio Neto foi até a tribuna da Câmara Legislativa e como ator que é, pediu o afastamento do governador Arruda. Claro que foi uma maneira de tentar limpar sua barra com o partido e com os eleitores depois da tentativa de encerramento da CPI na última semana.

Acontece que o jornal não faz referência ao discurso. Simplesmente a matéria fala da eleição para presidente da Câmara Legislativa e do protesto "pacífico" pró-Arruda. A pergunta é uma só: até quando o Correio Braziliense vai ficar no jogo de esconde-esconde?

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O Correio Braziliense e a Lei de Ricupero

Rubens Ricupero era Ministro da Fazenda quando em setembro de 1994 foi até a Rede Globo dar uma entrevista sobre o Plano Real, que tinha sido implantado meses antes. Antes do início da entrevista ao jornalista Carlos Monforte, ele conversava sobre a divulgação ou não de dados econômicos e em certo momento deixou escapar: "Eu não tenho escrúpulos. Eu acho que é isso mesmo. O que é bom a gente fatura; o que é ruim, esconde". Acontece que, por um problema técnico, a declaração foi assistida por milhares de brasileiros através do sinal da Antena Parabólica. Dois dias depois, Ricupero apresentou sua carta de demissão ao então presidente Itamar Franco e o episódio acabou ficando nacionalmente conhecido como "Escândalo da Parabólico"

Todo este preâmbulo serve para mostrar como está sendo feita a cobertura do Correio Braziliense nos últimos tempos: o que é bom para o Arruda, publica; o que é ruim, esconde. É o caso da edição de hoje (25/01), que repercute a matéria da Revista Época sobre uma carta possivelmente enviada por Pedro Passos pedindo ajuda financeira ao governador Arruda. O documento comprovaria que todo o esquema do mensalão começou no governo de Joaquim Roriz. A própria chamada de capa do Correio diz: "Carta em mãos da PF levanta suspeita sobre governo Roriz".

Diante da situação, ficam duas perguntas para os jornalistas e editores do Correio Braziliense: por qual motivo o jornal não deu o mesmo destaque para a matéria da semana passada da Revista Época, com documentos apreendidos na casa de Domingos Lamoglia e no gabinete do Fábio Simão e que prejudicaram muito a situação do governador? E qual o motivo de não repercutir a matéria sobre a vida da primeira-dama Flávia Arruda, com suas jóias e sapatos de preços exorbitantes?

Enquanto o Correio Braziliense segue sem informações para faturar, o negócio é continuar escondendo dos leitores o que realmente interessa. Vamos ver até quando.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Cartas nas mangas

O que está acontecendo no Distrito Federal nas últimas semanas é algo impossível de imaginar. Nem mesmo o brasiliense mais pessimista poderia prever as manobras praticadas pelo governador Arruda para conseguir terminar o seu mandato.

Até mesmo as decisões judiciais, que foram um sopro de esperança, acabaram abrindo brechas para que os mafiosos que tomam conta da cidade escapem de qualquer punição. Mas o importante é não desistir e manter a esperança. Alguma hora as cartas nas mangas irão acabar.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Ana Maria Campos de férias

Ana Maria Campos avisa no seu blog que está de férias. Fica a pergunta: quem será designado para fazer a defesa do governador no Correio Braziliense agora?

domingo, 17 de janeiro de 2010

Omissão e manipulação

O Correio Braziliense não faz nenhuma referência na sua edição dominical à reportagem da Revista Época (para ler clique aqui) que revelou o conteúdo dos documentos apreendidos pela Polícia Federal no dia da deflagração da Operação Caixa de Pandora.

O fato apenas reforça as duas principais características do Correio Braziliense na cobertura da crise instalada no Distrito Federal: a omissão e a manipulação. Omissão pois deixa seus leitores sem informações sobre o assunto. Quando alguma informação prejudica Arruda, ela simplesmente não é publicada. Um exemplo foi a vaia recebida pelo governador em um evento da Presidência da República durante a semana. Jornais de todo o país noticiaram o fato, relatando inclusive que Arruda preferiu entrar pelos "fundos" para não ter contato com o público presente. Diversos colunistas destacaram também o isolamento do governador, que mal foi cumprimentado pelos colegas.

A manipulação fica por conta das pesquisas que toda a semana apontam resultados favoráveis ao governador. A última, realizada no portal do próprio Correio Braziliense, apontou que 77,92% da população apóiam a permanência de Arruda no comando do GDF. Mais absurdo que o resultado é o fato de uma pesquisa claramente manipulada receber tanto destaque.

Não podemos esquecer também dos ataques que qualquer adversário do governador recebe nas páginas do jornal. Além das matérias contra o delator Durval Barbosa e Joaquim Roriz, ao longo da última semana o jornal resolveu atacar os políticos da oposição e até mesmo membros do Ministério Público. A promotora Maria Rosynete Oliveira Lima, que pediu o afastamento dos deputados distritais envolvidos nas denúncias, foi acusada de estar atuando com interesses políticos já que é casada com um aliado de Roriz. Já Agnelo Queiroz foi acusado de ter assistido as gravações contra Arruda e não ter tomado nenhuma providência.

É claro que as duas informações acima são de interesse da população. Mas o que se espera é que os repórteres do Correio tenham a mesma vontade para apurar as denúncias que surgem diariamente contra o atual governo. E que não escondam nem manipulem as informações.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Pressão virtual

Caros,
depois do balde de água fria de ontem, quando os aliados do Governador ocuparam os principais postos investigativos na Câmara Legislativa, o dia de hoje trouxe novas esperanças: o STJ autorizou a quebra do sigilo fiscal e bancário de Arruda e outros envolvidos na Operação Caixa de Pandora. O fato serviu para mostrar que a única punição ao Governador e demais envolvidos só acontecerá no Judiciário.

Mas isto não significa que temos que desistir de pressionar os deputados distritais. É por isso que proponho um movimento de pressão através da Internet. Vamos encher as caixas de e-mails dos parlamentares cobrando uma investigação imparcial, sem pressão do Governador. E não podemos deixar de exigir a saída do deputado Leonardo Prudente da Presidência da Câmara Legislativa, bem como o afastamento dos parlamentares envolvidos nas denúncias.

Os endereços eletrônicos são os seguintes:

ouvidoria@cl.df.gov.br, dep.alirio.neto@cl.df.gov.br, dep.aylton.gomes@cl.df.gov.br, dep.batista.cooperativas@cl.df.gov.br, falecombenicio@beniciotavares.com.br, dep.benedito.domingos@cl.df.gov.br, dep.bisporenato@cl.df.gov.br, bisporenatoandrade@gmail.com, dep.brunelli@cl.df.gov.br, dep.cabo.patricio@cl.df.gov.br, dep.chico.leite@cl.df.gov.br, dep.cristiano.araujo@cl.df.gov.br, dep.dr.charles@cl.df.gov.br, dep.erika.kokay@cl.df.gov.br, dep.eurides.brito@cl.df.gov.br, deputada@elianapedrosa.com.br, dep.jaqueline.roriz@cl.df.gov.br, dep.leonardo.prudente@cl.df.gov.br, dep.milton.barbosa@cl.df.gov.br, paulotadeu@paulotadeu.com.br, dep.raad.massouh@cl.df.gov.br, dep.raimundo.ribeiro@cl.df.gov.br, dep.reguffe@cl.df.gov.br, dep.rogerio.ulysses@cl.df.gov.br, dep.roney.nemer@cl.df.gov.br, dep.wilsonlima@cl.df.gov.br

Há também o telefone da Ouvidoria: 0800-6420009. Não custa nada (mesmo) dar uma ligadinha para pedir a saída de Prudente!

Então, vamos à luta!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Só prendendo

Parece que Ricardo Noblat sabia o que aconteceria nesta segunda-feira na Câmara Legislativa. A composição da Comissão de Constituição e Justiça e da CPI da Corrupção apenas comprovaram que tudo já está planejado para salvar o governador Arruda da ameaça dos processos de impedimento. É por isso que ele escreveu que, para resolver a crise no DF, só prendendo!

Só prendendo
Ricardo Noblat

Brasil, meu Brasil brasileiro, meu mulato inzoneiro! Saúdo a esperteza dos que o comandam e a apatia dos seus habitantes.

A propósito: o que deverá acontecer com o governador José Roberto Arruda, do Distrito Federal, depois de ter sido apontado como chefe de uma organização criminosa?

O mais provável é que ele cumpra seu mandato até o fim.

Que país é este onde um deputado filmado escondendo dinheiro nas meias reassume a presidência do poder legislativo para comandar o processo de impeachment do governador, seu aliado, acusado de corrupção?

É o que ocorrerá, logo mais, na Câmara Legislativa do Distrito Federal com a volta à cena do deputado Leonardo Prudente.

Está para se ver ato mais revelador do estado de apodrecimento dos costumes políticos na capital da República.

Licenciado do cargo por 60 dias, Prudente antecipou seu retorno depois de ter explicado - sem sequer franzir o cenho - por que escondeu dinheiro nas meias: “Não uso pasta”.

Sabe de uma coisa? Sinceramente?

Saudades de Severino Cavalcanti!

Eleito presidente da Câmara dos Deputados em fevereiro de 2005, o rei do chamado “baixo clero” renunciaria ao cargo dali a sete meses ao ser confrontado com a cópia de um cheque de R$ 10 mil que recebera como propina paga por Sebastião Buani, concessionário de restaurantes.

Na Era Lula, o mensalinho de Severino foi pioneiro.

Não, não foi daquela vez que Lula se valeu da expressão “uma merreca” para designar subornos de pequeno valor.

“Uma merreca” fez sua estréia no vocabulário político do país quando Lula, às voltas com o mensalão do PT em 2006, saiu em defesa do deputado Professor Luizinho (SP), beneficiado com a irrisória quantia de R$ 20 mil.

Lula tentara antes equiparar o mensalão a Caixa 2 de campanha. Como se Caixa 2, por ser uma prática corrente, tivesse perdido a condição de crime sujeito a severa punição.

Em dezembro último, ao falar sobre o mensalão do DEM, o Big Brother de todos os escândalos, Lula perseverou na defesa de bandidos: “As imagens não falam por si”.

Não, de fato não falam. Elas gritam, berram, suplicam para ser escutadas.

Vocês imaginam que serão?

Nada se espere da Câmara Legislativa do Distrito Federal, antecipou Durval Ferreira, ex-secretário de Relações Institucionais do governo Arruda, em conversa informal no fim do ano passado com procuradores da República. Foi ele que detonou Arruda.

Para espanto dos procuradores, Durval contou que apenas um ou dois dos 24 deputados distritais deixaram de ser aquinhoados com o mensalão do DEM e outros favores patrocinados pelo governo. Um dos que se mantiveram íntegros, citado por Durval: o deputado de primeiro mandato José Antônio Reguff (PDT).

No momento, funcionam em Brasília quatro centrais de vídeos capazes de fazer Severino corar.

O dono da mais completa é Durval, que entregou 30 vídeos à Polícia Federal e guardou 50.

O ex-governador Joaquim Roriz é dono de outra. A terceira é de Arruda. E a quarta dos irmãos Pedro e Márcio Passos, acusados de grilagem de terras.

A dos Passos está adormecida, mas guarda material inédito que preocupa Roriz.

Quem foi filmado sabe que foi. Quem não sabe receia ter sido.

O manto pesado do medo cobre a Brasília dos poderosos.

A outra Brasília serve de pano de fundo para a primeira e em boa parte depende dela. Sem dúvida, está indignada. Mas por cautela prefere manter o silêncio dos cúmplices - ou dos desencantados.

Arruda reuniu-se em separado com cada um dos 17 deputados que o apóiam na Câmara. Seu recado foi simples e direto: ou nos salvamos juntos ou afundaremos juntos.

Os jornais de Brasília são parceiros de Arruda. O dono de um deles era mensaleiro. O presidente do mais importante foi citado por Durval em vários depoimentos.

Somente a Justiça, que tarda e falha com frequência, poderá estragar os planos de Arruda.

Para isso terá de agir com rapidez, acatando o pedido do Ministério Público de mandar prendê-lo.

Solto e no exercício do cargo, Arruda prejudica as investigações, como tem feito, e a produção de provas contra ele mesmo.

domingo, 10 de janeiro de 2010

A população do DF

Do Correio Braziliense de hoje, 10 de janeiro de 2010:

Pesquisa do Instituto Exata OP, realizada entre os dias 5 e 6 deste mês, indica que a maioria da população quer o governador José Roberto Arruda (sem partido) no comando do Executivo local até o fim de seu mandato em 31 de dezembro de 2010 para concluir as obras em andamento. De acordo com o levantamento, 58,3% estão de acordo com a permanência de Arruda, apesar da crise deflagrada com a Operação Caixa de Pandora. A margem de erro da consulta é de 3,5%, com intervalo de confiança de 95%.

Não há o que escrever. Apenas vemos neste momento que o discurso de defesa do governador ganha cada vez mais adeptos. Mas é possível mudar a situação. É preciso voltar às ruas e lutar para que o DF volte a ter um governo decente.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Panetones na redação - por Washington Araújo

Para marcar o retorno, um texto que eu gostaria de ter tido tempo para escrever.

Panetones na Redação

Por Washington Araújo em 8/12/2009

no Observatório da Imprensa

Uma semana é tempo suficiente para fazer muita coisa. Este período de tempo ficou mais famoso com a descrição da criação do mundo em seis dias de trabalho – e quanta coisa se pode fazer! – ficando o sétimo dia para o descanso, que ninguém é de ferro. A descrição da semana mais famosa de que se tem notícia está registrada bem no início da Bíblia no livro de Gênesis, capítulos 1 ao 3, e o autor é ninguém menos que Moisés. Seu relato é sucinto, objetivo e substantivo, nada de grandiloqüência.

"1º Dia – Deus fez a luz; 2º Dia – Deus fez o céu; 3º Dia – Deus fez a terra, os mares, as árvores e as plantas; 4º Dia – Deus fez o sol, a lua e as estrelas; 5º Dia – Deus fez os pássaros e peixes; 6º Dia – Deus fez os animais e Adão e fez também Eva, a primeira mulher; e no 7º Dia – Deus descansou!"

Pois bem, voltemos ao que interessa. Se em uma semana tudo foi criado e até descanso foi contemplado, uma semana não foi tempo suficiente para que o principal jornal de Brasília (o mais influente e renomado por sua detalhada cobertura política) conseguisse tratar do caso que, desde seu início, em 28 de novembro de 2009, recebeu ampla cobertura dos grandes jornais brasileiros, no eixo Rio-São Paulo e até mesmo no exterior.

É gritante, salta aos olhos e é, por todos os motivos, desconcertante o jornalismo praticado pelo Correio Braziliense entre os 28/11 e 3/12/2009. Moradores de Brasília ficariam bem informados do que se passava em sua cidade, e também capital de todos os brasileiros, se estivessem lendo O Globo, o Estado de S.Paulo e a Folha de S.Paulo ou se estivessem com os olhos sempre grudados nos telejornais que foram ao ar nesse período. O chamado panetonegate emergiu com a força da imagem em movimento, com dezenas de vídeos, sempre muito bem produzidos, com bom áudio, imagens focadas, ângulos e planos de quem parece entender bem do código audiovisual.

Cara de paisagem

Vamos por partes porque o assunto demanda detalhamento.

No primeiro dia em que o escândalo no Governo do Distrito Federal (GDF) foi noticiado – 28 de novembro –, o Correio Braziliense optou por manchete genérica, dando ares de normalidade ao que tinha tudo para estar fora da curva da normalidade. O título que foi para sua capa: "GDF e Distritais são alvo de investigação". E adiantava no subtítulo o tom da cobertura: "PF e justiça apuram suposto esquema de propinas a parlamentar". Enquanto isso os jornais mais influentes do país trouxeram em suas capas:

** O Globo: "Governador do DEM é suspeito de pagar propina a deputados". E diz que "PF grava José Roberto Arruda negociando repasse de dinheiro com assessor".

Folha de S.Paulo: "Governo do DF é acusado de corrupção"

O Estado de S.Paulo: "Polícia flagra `mensalão do DEM´ no governo do DF". E diz que o esquema "teria até mesmo participação do governador Arruda".

Logo no primeiro dia, o nome do governador do Distrito Federal estava nas manchetes. Menos no Correio Braziliense. E estava nas capas por uma razão muito simples: temos diante de nossos olhos e ouvidos o escândalo de corrupção mais detalhado e filmado da história política brasileira.

No dia 29/11, o Globo teve como manchete principal "PF: Arruda distribuía R$ 600 mil todo mês"; a Folha de S.Paulo optou por "Documento liga vice-governador do DF a esquema de corrupção" e o Estado de S.Paulo não deixou por menos: "Em vídeo, Arruda recebe R$ 50 mil". Novamente, o Correio fez cara de paisagem: "OAB-DF pede explicações sobre denúncias".

Mais espaço na imprensa nacional

Em 30/11, O Globo abriu sua edição com a manchete "Arruda: TSE vê indício de caixa 2"; a Folha de S.Paulo destacou na capa: "Vídeos mostram aliados de Arruda recebendo dinheiro" e o Estado de S. Paulo abriu manchete com "Vídeos `letais´ levam DEM a preparar expulsão de Arruda", destacando em subtítulo que "Provas contundentes da PF deixam governador em situação insustentável". Até o fluminense Jornal do Brasil passou a tratar do assunto com a importância que o assunto requeria: "Aliados deixam Arruda isolado". O Correio uma vez mais evitou citar o nominalmente o governador José Roberto Arruda e preferiu socializar ao máximo o escândalo. Sua manchete: "Novos vídeos expõem base aliada do GDF". Vale conferir o que o Correio achou por bem destacar:

"Gravações feitas pelo ex-secretário de Relações Institucionais do Governo do Distrito Federal Durval Barbosa, entregues à Polícia Federal, mostram deputados distritais da base aliada, integrantes e assessores do GDF recebendo dinheiro do próprio Durval, que denunciou um suposto esquema de corrupção no governo local. Em um dos vídeos, o atual presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente, aparece colocando maços de notas nos bolsos do paletó e nas meias. Diante das acusações, a cúpula nacional do partido Democratas se reúne com o governador José Roberto Arruda – que também apareceu em uma gravação – e espera que ele dê explicações públicas ainda hoje. Em Brasília, o PDT e o PSB anunciaram que não querem mais vínculo com o GDF. A direção dos dois partidos já decidiu que vai entregar os cargos que ocupam na atual administração." (Págs. 1 e 19 a 21)

No mês de dezembro, esse mês que parece uma sexta-feira alargada por 30 dias, o escândalo de corrupção recebeu maior espaço da imprensa nacional. Vejamos as manchetes do 1º de dezembro de 2009:

** O Globo – "Em vídeo, empresário reclama da alta propina cobrada pelo governo Arruda"

** Folha de S.Paulo – "Ex-secretário liga tucano a mensalão"

** O Estado de S. Paulo – "Governador do DF ameaça e DEM adia expulsão"

** Jornal do Brasil – "Arruda tentou barrar operação - Governador pediu, em vão, ajuda ao STJ e a Aécio Neves"

Manchete risível

O Correio Braziliense parece divorciado da sempre aguardada objetividade e sua opção de manchete aposta na diluição das responsabilidades criminais: "Democratas divididos. Arruda se defende. Quebra de decoro na Câmara". Em 2 de dezembro, temos as seguintes manchetes:

** O Globo – "Imagem de políticos recebendo propina `não fala por si´, diz Lula"

** Folha de S.Paulo – "Fita expõe ação de Arruda no mensalão"

** O Estado de S. Paulo – "DEM marca expulsão de Arruda para o dia 10"

Para os leitores do Correio Braziliense, o viés é outro. Chega a ser paroquial para dizer o mínimo. Temos este primor de manchete: "Arruda: Roriz quer ganhar no tapetão". Leva às suas páginas entrevista exclusiva com o governador Arruda. O tom é de defesa e desvio de foco sempre presente. Aqui a abertura da reportagem:

"Em entrevista exclusiva ao Correio, o governador José Roberto Arruda afirma que as acusações de um suposto esquema de propinas no Distrito Federal são uma tentativa do grupo ligado a Roriz de inviabilizar sua candidatura nas eleições de 2010. `Quero ter a chance de, num processo eleitoral aberto, sem tapetão, sem uso de ardis como esse, poder enfrentar o debate, poder dizer às pessoas o que o meu governo fez e o mal que Roriz fez a Brasília´, diz. Segundo Arruda, as revelações de Durval Barbosa fazem parte da estratégia do ex-governador. `O Roriz sabe que para ele voltar ele precisa me tirar de campo´, comenta. Arruda se considera `aliviado´ com a saída do ex-secretário e faz uma analogia com o trânsito ao analisar a crise. `Sofri um grave acidente de carro, mas não morri. Estou mais vivo do que nunca´" (pág.1).

Fica patente a falta de simetria entre a cobertura dos jornais paulistas e cariocas e o principal jornal do Distrito Federal. Os "de fora" parecem estar em posto de observação (e análise) privilegiado. Suas matérias não titubeiam, ficam de pé por si sós. Os jornais impressos querem estar à altura do conteúdo apresentado nos telejornais e nas emissoras de rádio. Menos o Correio. É o que iremos constatar após escrutinar as manchetes de capa dos 6º e 7º dias do escândalo.

3 de dezembro de 2009:

** O Globo – "Grupo que negociava propina chamava Arruda de `big boss´"

** Folha de S.Paulo – "Para mensalão do DEM, PT propõe impeachment"

** O Estado de S. Paulo – "Arruda licitou panetones no dia da operação da PF - Compra foi o argumento do governador para justificar recebimento de R$ 50 mil"

Chega a ser risível a manchete escolhida pelo Correio Braziliense: "Durval acusado de desviar R$ 432 mi".

Demonstração de desconforto

Finalmente, no sétimo dia, os jornais "de fora" decidiram não descansar. Quem tirou o dia para repouso foi o Correio Braziliense. Vamos às manchetes do dia 4 de dezembro de 2009:

** O Globo – "Processo contra Arruda para na Câmara do DF"

** Folha de S.Paulo – "PF apura se pacote com dinheiro era para Arruda"

** O Estado de S. Paulo – "Planilha detalha doações para caixa 2 de Arruda"

O Correio Braziliense, embora estivesse (presumo) acompanhando a cobertura de O Globo, o Estadão e a Folha para o escândalo das imagens em movimento, deve ter observado que no sétimo dia todas as manchetes incluíam o nome "Arruda". O Correio, numa espécie de infame trocadilho... foi imprudente ao escolher sua manchete: "Como Prudente fez o pé-de-meia".

Existem situações em que manchetes de jornais, ao serem cotejadas em determinado período de tempo, oferecem uma visão clara sobre os compromissos deste ou daquele veículo de comunicação. As leituras das manchetes denunciam também o grau de independência e profissionalismo dos veículos. E revelam, acima de tudo, os diversos níveis de compromissos.

Alguns escancaram desde suas capas a vitalidade de seus compromissos com a missão de bem informar o leitor. Enquanto outros demonstram seu desconforto ao ver, no centro de sua Redação, no lugar da tradicional árvore natalina, um prosaico panetone.

Feliz 2010

Retomando os trabalhos, desejo aos poucos leitores um ótimo ano e que Brasília volte a ter um jornal decente!