Para não passar em branco, o Correio Braziliense segue cumprindo seu papel de principal veículo de comunicação da máfia que governa Brasília. A publicação da "Carta aos Brasilienses" é apenas mais um lance de um jornal desesperado pela publicidade governamental.
Infelizmente o fim de ano diminuiu a intensidade das manifestações nas ruas. Nos resta torcer para que o trabalho da Polícia Federal e do Ministério Público seja sério, e o ministro Fernando Gonçalves tenha a coragem para punir todos os responsáveis.
Carta aos brasilienses :: José Roberto Arruda
José Roberto Arruda
Governador do Distrito Federal
Tenho vivido momentos extremamente difíceis nas últimas semanas. As ardilosas armadilhas montadas com premeditada má-fé pelos meus adversários refletem-se na mídia de forma destruidora.
Apesar de tudo, continuo firme, forte e decidido a dedicar meu esforço pessoal para cumprir todos os meus compromissos com Brasília.
Meus adversários alcançaram o objetivo de me alijar da disputa de 2010. Mas não me tiraram da luta. Brasília está no caminho certo da organização urbana e da evolução em áreas sensíveis, como infraestrutura de transportes, educação e saúde. Há três anos não temos invasões e nenhum novo condomínio irregular é criado no DF, acabaram as vans piratas e o comércio irregular. Colocamos ordem na cidade.
Essa campanha insidiosa não irá impedir essas conquistas.
Em 2010, despido de ambições políticas e livre de amarras partidárias, estarei plenamente focado no trabalho. Não serei candidato a nada. Serei apenas um administrador, um tocador de obras em tempo integral.
Estamos com 2.034 obras em andamento e acompanho pessoalmente cada uma delas. São mais de 60 mil operários trabalhando.
Brasília é a única, entre as cidades-sede da Copa do Mundo de 2014, com o cronograma rigorosamente em dia e obras já iniciadas.
Em janeiro de 2010, vamos entregar duas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) nas cidades do Recanto das Emas e São Sebastião. Até o fim do próximo ano serão mais seis. O Hospital de Santa Maria já está funcionando plenamente. O do Paranoá também.
A nova Rodoviária Interestadual será inaugurada em 21 de abril. Na mesma data, entregaremos a Torre de TV Digital. Mais 11 vilas olímpicas estarão prontas em 2010.
Depois de concluída, a Cidade dos Meninos vai abrigar 512 jovens em situação de risco, com moradia, lazer, cuidados e educação.
Além das 200 escolas integrais, o DF vai receber outras 100. São 60 mil crianças na escola o dia inteiro.
O Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) vai rodar, no ano que vem, seu primeiro trecho. E ainda em 2010 começaremos a obra do Estádio Mané Garrincha.
A Linha Verde, a duplicação da Estrada da Fercal, a ligação de Samambaia a Ceilândia, o viaduto da QNL, o viaduto do Periquito, no Gama, a duplicação da Epia e da BR-020, os viadutos e a duplicação de pistas de acesso ao Aeroporto e ao Zoológico. Todas as obras do sistema viário estarão concluídas até junho de 2010.
As 12 cidades mais pobres do DF, que durante 20 anos tinham lama e poeira, estarão, todas, com água, esgoto, asfalto, escolas e centros de saúde inaugurados até o meio do ano.
Quem conhecia antes cidades como Estrutural, Varjão, Itapoã, Arapoanga, Mestre D’Armas, Vila São José, em Brazlândia, Vila Telebrasília, Vila Dnocs, Porto Rico, Riacho fundo II e visitá-las hoje, sentirá nítida diferença.
Brasília terá um belo aniversário de 50 anos.
Mas não tem sido fácil enfrentar esses dias tão turbulentos. Sou alvo de uma declarada vingança de quem não conseguiu repetir, no meu governo, o que fazia antes.
A repetição de imagens onde recebo recursos da pré-campanha do ano de 2005 — devidamente comunicado ao TRE — como se fossem atuais, devo admitir, são muito fortes.
A verdade é que nos três anos do meu governo investimos em informática o total de R$ 411 milhões. Apenas no último ano do governo anterior (2006), num único ano, investiu-se R$ 531 milhões. Fiz cortes drásticos. Contrariei interesses políticos, econômicos empresariais e pessoais, que hoje voltam-se contra mim.
E as absurdas suspeitas levantadas pelo meu ignóbil acusador são tratadas como a mais pura verdade. Se eu o tivesse mantido na Codeplan e não tivesse cortado as verbas que ele manipulava, será que ele teria armado essas acusações?
Em seus depoimentos, ele não centra fogo apenas em mim. Na ansiosa busca pela mitigação dos seus processos, usa a estratégia de atacar a tudo e a todos colocando-se no papel de metralhadora giratória, arrasando reputações.
Meu governo, minha pessoa, minha família. Tudo arrastado na insana vingança, sem critério e sem responsabilidade alguma.
Sei que, com o tempo e o devido processo legal, a razão e a Justiça serão novamente restabelecidas. Mas para isso é necessário que aqueles que buscam por respostas estejam desvencilhados dos prejulgamentos.
Como enxergar a verdade a partir da conjectura ensandecida que marca este momento, no qual fatos e versões são usados propositalmente de forma desorganizada e sem critério de valor? Como diferenciar certo e errado se ao verdadeiro réu é dada a credibilidade conferida apenas aos heróis? Afinal, o delator enfrenta 32 processos na Justiça, todos por atos praticados no governo anterior.
Creio na Justiça, dos homens e de Deus. A verdade irá se sobrepor à vilania e a coerência ao desvario.
Peço ao povo do Distrito Federal serenidade e discernimento no julgamento que ora me fazem. Eu aguardo a Justiça de cabeça erguida e com a certeza de minhas convicções.
Não estou alheio à dor do povo do Distrito Federal ao ver imagens tão duras repetidas seguidamente. Mas peço que não permitam que Brasília seja reduzida a esse vil embate político.
Entendo que, diante de tamanha campanha de difamação, pairem dúvidas sobre meu comportamento político, ético e moral. É natural que seja assim diante de tal massacre. Só lhes peço tempo para que a Justiça se cumpra e a verdade se restabeleça.
O que desejo é que possa concluir meu governo sem ódio e sem rancor, entregando todas as obras e cumprindo todos os compromissos que assumi com Brasília.
Tivemos, eu e minha família, o Natal mais difícil de nossas vidas, mas quero desejar que toda a população do Distrito Federal possa ter um final de ano com muita paz, saúde e certeza de dias melhores.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Com Arruda, até o fim!
Manchetes dos jornais de hoje (23/12) sobre a Operação Caixa de Pandora
O Globo: PF faz buscas em endereços ligados a Arruda
Folha de São Paulo: PF faz busca em ONG da mulher de Arruda
Estado de São Paulo: Polícia Federal recolhe papéis de ONG dirigida por mulher de Arruda
E o Correio Braziliense: PF faz novas buscas
Nem vamos comentar a manchete da capa: Roriz pagou R$ 1,8 bilhão a empresas de informática
O Correio Braziliense não decepciona os seus críticos.
O Globo: PF faz buscas em endereços ligados a Arruda
Folha de São Paulo: PF faz busca em ONG da mulher de Arruda
Estado de São Paulo: Polícia Federal recolhe papéis de ONG dirigida por mulher de Arruda
E o Correio Braziliense: PF faz novas buscas
Nem vamos comentar a manchete da capa: Roriz pagou R$ 1,8 bilhão a empresas de informática
O Correio Braziliense não decepciona os seus críticos.
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
O que falar mais?
O blog tem ficado sem atualização pois qualquer coisa que se fale do Correio Braziliense no atual momento é chover no molhado. O assunto Caixa de Pandora saiu das manchetes e tem ocupado uma página do jornal. E só. Raramente algum colunista fala do assunto, mas sempre sem citar o governador Arruda. Enquanto jornais e sites do eixo Rio-SP deitam e rolam, o Correio finge que tudo está bem.
Falando em sites, quem realmente está interessado na operação Caixa de Pandora não pode deixar de acessar o Último Segundo, que tem trazido todo o material, incluindo vídeos e cópia integral do processo do STJ. Para ter uma idéia do bom trabalho que está sendo feito, vai abaixo um texto do jornalista Matheus Leitão sobre a Caixa de Pandora.
15 descobertas feitas até agora sobre o esquema de Arruda
21/12 - 07:40 - Matheus Leitão, iG Brasília
BRASÍLIA - O que a Polícia Federal e o Ministério Público descobriram até agora no escândalo do DF, de acordo com as denúncias feitas por Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do governo do Distrito Federal:
1 - O governador do DF, José Roberto Arruda, teria montado uma estrutura para arrecadar dinheiro de empresas fornecedoras do seu governo
2 - A estrutura teria sido concebida pelo próprio Arruda através de uma planilha
3 - A base do esquema estaria concentrada nas secretarias de educação e saúde e em contratos de serviço de informática do governo
4 - Durval Barbosa seria um dos principais arrecadadores do esquema, indicado pela função pelo próprio Arruda
5 - O gabinete de Durval teria se transformado num caixa de banco, procurado por diversas pessoas em busca de dinheiro vivo
6 - Esta estrutura de corrupção beneficiaria assessores diretos do governador, deputados distritais e outros aliados
7 - O governador José Roberto Arruda seria o maior beneficiário do esquema. Ele nega.
8 - O vice-governador Paulo Octávio foi citado como outro beneficiário do esquema. Ele nega.
9 - Oito secretários ou presidentes de órgãos do governo foram citados como beneficiários do esquema. A maioria foi exonerada.
10 - Nove deputados distritais ou ex-deputados foram citados como beneficiários do esquema
11 - Os parlamentares são acusados de receber dinheiro em troca de sustentação política
12 - O próprio presidente da Câmara seria beneficiário do esquema
13 - Pelo menos um conselheiro do Tribunal de Contas do DF, encarregado de aferir a boa aplicação dos recursos públicos, estaria envolvido no esquema
14 - Até a entidade filantrópica da mulher do governador foi apontada como beneficiária do esquema
15 - Pela primeira vez na história, o grosso das denúncias se baseia de filmagens que mostram autoridades de Brasília e o próprio Arruda manuseando ou recebendo dinheiro.
Falando em sites, quem realmente está interessado na operação Caixa de Pandora não pode deixar de acessar o Último Segundo, que tem trazido todo o material, incluindo vídeos e cópia integral do processo do STJ. Para ter uma idéia do bom trabalho que está sendo feito, vai abaixo um texto do jornalista Matheus Leitão sobre a Caixa de Pandora.
15 descobertas feitas até agora sobre o esquema de Arruda
21/12 - 07:40 - Matheus Leitão, iG Brasília
BRASÍLIA - O que a Polícia Federal e o Ministério Público descobriram até agora no escândalo do DF, de acordo com as denúncias feitas por Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do governo do Distrito Federal:
1 - O governador do DF, José Roberto Arruda, teria montado uma estrutura para arrecadar dinheiro de empresas fornecedoras do seu governo
2 - A estrutura teria sido concebida pelo próprio Arruda através de uma planilha
3 - A base do esquema estaria concentrada nas secretarias de educação e saúde e em contratos de serviço de informática do governo
4 - Durval Barbosa seria um dos principais arrecadadores do esquema, indicado pela função pelo próprio Arruda
5 - O gabinete de Durval teria se transformado num caixa de banco, procurado por diversas pessoas em busca de dinheiro vivo
6 - Esta estrutura de corrupção beneficiaria assessores diretos do governador, deputados distritais e outros aliados
7 - O governador José Roberto Arruda seria o maior beneficiário do esquema. Ele nega.
8 - O vice-governador Paulo Octávio foi citado como outro beneficiário do esquema. Ele nega.
9 - Oito secretários ou presidentes de órgãos do governo foram citados como beneficiários do esquema. A maioria foi exonerada.
10 - Nove deputados distritais ou ex-deputados foram citados como beneficiários do esquema
11 - Os parlamentares são acusados de receber dinheiro em troca de sustentação política
12 - O próprio presidente da Câmara seria beneficiário do esquema
13 - Pelo menos um conselheiro do Tribunal de Contas do DF, encarregado de aferir a boa aplicação dos recursos públicos, estaria envolvido no esquema
14 - Até a entidade filantrópica da mulher do governador foi apontada como beneficiária do esquema
15 - Pela primeira vez na história, o grosso das denúncias se baseia de filmagens que mostram autoridades de Brasília e o próprio Arruda manuseando ou recebendo dinheiro.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
A relação Correio Braziliense x Arruda
Para entender um pouco da relação Correio Braziliense x Arruda: o Governador foi até a redação do jornal na tarde de hoje para uma "visita cortesia" (informação do Noblat). Deve ser para agradecer a cobertura.
Também do Noblat: o Cabo Patrício relata uma conversinha com o Governador...
O Cabo e o Doutor
Em março último, Cabo Patrício (PT), então vice-presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, procurou José Roberto Arruda (DEM) na Granja de Águas Claras, residência oficial do governador. Foi tratar do novo plano de salários da Polícia Militar.
Arruda foi grosseiro com ele.
- Vou acabar com você - prometeu Arruda.
Alguns dias antes, Patrício havia feito um duro discurso criticando o governo.
- Acabar? Que conversa é essa? Sou lá da sua quadrilha? - respondeu Patrício.
- Vou acabar, sim. O Álvaro vai cuidar de você - retrucou Arruda.
- Que Álvaro? Tenho lá medo de nenhum Álvaro? - esquivou-se Patrício.
- O dr. Álvaro - corrigiu. "Ele vai acabar com você".
Antes que Patrício desse as costas para ir embora sem saber quem era o dr. Álvaro, surgiu um sujeito de corpanzil avantajado e cabelos brancos.
- Eu vou acabar com você como acabei com o Cabo Júlio - disse o tal sujeito.
- Eu não sou o Cabo Júlio. Sou Cabo Patrício.
- Pois vou acabar com você do mesmo jeito.
Cabo Júlio foi o líder da greve de 1997 da Polícia Militar de Minas Gerais. Depois se elegeu deputado federal duas vezes. Hoje é vereador em Belo Horizonte pelo PMDB.
O dr. Álvaro é Álvaro Teixeira da Costa, presidente dos jornais Correio Braziliense e Estado de Minas.
Cabo Patrício, atual presidente interino da Câmara Distrital, repete essa história para quem quiser ouvir. E diz ter outras para contar.
Também do Noblat: o Cabo Patrício relata uma conversinha com o Governador...
O Cabo e o Doutor
Em março último, Cabo Patrício (PT), então vice-presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, procurou José Roberto Arruda (DEM) na Granja de Águas Claras, residência oficial do governador. Foi tratar do novo plano de salários da Polícia Militar.
Arruda foi grosseiro com ele.
- Vou acabar com você - prometeu Arruda.
Alguns dias antes, Patrício havia feito um duro discurso criticando o governo.
- Acabar? Que conversa é essa? Sou lá da sua quadrilha? - respondeu Patrício.
- Vou acabar, sim. O Álvaro vai cuidar de você - retrucou Arruda.
- Que Álvaro? Tenho lá medo de nenhum Álvaro? - esquivou-se Patrício.
- O dr. Álvaro - corrigiu. "Ele vai acabar com você".
Antes que Patrício desse as costas para ir embora sem saber quem era o dr. Álvaro, surgiu um sujeito de corpanzil avantajado e cabelos brancos.
- Eu vou acabar com você como acabei com o Cabo Júlio - disse o tal sujeito.
- Eu não sou o Cabo Júlio. Sou Cabo Patrício.
- Pois vou acabar com você do mesmo jeito.
Cabo Júlio foi o líder da greve de 1997 da Polícia Militar de Minas Gerais. Depois se elegeu deputado federal duas vezes. Hoje é vereador em Belo Horizonte pelo PMDB.
O dr. Álvaro é Álvaro Teixeira da Costa, presidente dos jornais Correio Braziliense e Estado de Minas.
Cabo Patrício, atual presidente interino da Câmara Distrital, repete essa história para quem quiser ouvir. E diz ter outras para contar.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Mais um absurdo do Correio Braziliense
Mais um editorial absurdo do Correio Braziliense. Eles realmente não aprendem...
Bom senso na crise
Com mais de 2 mil obras em andamento, Brasília não pode parar. A capital da República está prestes a completar seu primeiro meio século de vida e em 2014 será uma das cidades-sede da Copa da Mundo no Brasil. Tomada de apreensão e tristeza pelos acontecimentos recentes, com integrantes dos três poderes locais envolvidos em suspeitas de corrupção, a cidade deve respirar aliviada com a decisão do governador José Roberto Arruda de desfiliar-se do DEM e retirar-se da disputa eleitoral do próximo ano. Sensata, a atitude contribui para serenar os ânimos e abrir caminho para o fim da grave crise. Depura o ambiente político das intrigas e futricas comuns às rivalidades inerentes à luta pelo poder e favorece a apuração fiel e isenta das denúncias.
A propósito, ressalva-se a decisão do mandatário do Palácio do Buriti de, ao término do governo, responder sem foro especial às acusações de que é vítima. Está aí oportunidade ímpar para se limpar todo e qualquer entulho de corrupção da vida brasiliense, seja no GDF, seja na Câmara Legislativa ou até mesmo no Ministério Público e no Judiciário. No mais, cabe ao eleitor assimilar no todo e de uma vez por todas a lição de agora e cumprir seu papel nas urnas, não dando chance a aventureiros, não permitindo que senão aqueles de reputação inquestionavelmente ilibada tenham acesso aos cargos preenchidos segundo a vontade popular. É essa a única resposta segura para as agruras presentes, o único meio de assegurar que a capital honre o país e cumpra com retidão o seu destino de liderança.
Urge atentar-se também para as tentativas torpes de confundir nomes com instituições. A autonomia política é uma conquista definitiva de Brasília. Se a Câmara Legislativa não corresponde aos anseios do brasiliense, a falha não está na existência da Casa. É mais uma vez nas urnas que se encontrará as ferramentas capazes de mantê-la dentro dos parâmetros da democracia, do respeito à consciência do cidadão, da civilidade, enfim. Estivesse cumprindo a contento seu papel constitucional, esse poder não estaria sob questionamentos. Ao contrário, estaria não apenas à margem da atual crise, como teria, desde o início, atuado para resolver o imbróglio. Em suma, vale ressaltar, os vícios de que padecem alguns dos deputados distritais são passíveis de expurgo pela via eleitoral.
Há anos, a cidade que abriga os Três Poderes da República paga o preço de escândalos importados. É para cá que apontam os dedos quando a corrupção, a mordomia, o desmando caem na boca do povo, venham de qual for o canto deste imenso país. Desta vez, contudo, é diferente. A crise é mesmo brasiliense. E o Distrito Federal não fugirá à responsabilidade de encará-la de frente. Saberá enfrentá-la de cabeça erguida, ainda que na origem estejam graves distorções da política nacional, pelas quais não pode responder sozinho. Não importa. O DF tem a obrigação de liderar o processo de correção de rumos que a nação está a exigir faz tempo. Que a assuma desde já.
Bom senso na crise
Com mais de 2 mil obras em andamento, Brasília não pode parar. A capital da República está prestes a completar seu primeiro meio século de vida e em 2014 será uma das cidades-sede da Copa da Mundo no Brasil. Tomada de apreensão e tristeza pelos acontecimentos recentes, com integrantes dos três poderes locais envolvidos em suspeitas de corrupção, a cidade deve respirar aliviada com a decisão do governador José Roberto Arruda de desfiliar-se do DEM e retirar-se da disputa eleitoral do próximo ano. Sensata, a atitude contribui para serenar os ânimos e abrir caminho para o fim da grave crise. Depura o ambiente político das intrigas e futricas comuns às rivalidades inerentes à luta pelo poder e favorece a apuração fiel e isenta das denúncias.
A propósito, ressalva-se a decisão do mandatário do Palácio do Buriti de, ao término do governo, responder sem foro especial às acusações de que é vítima. Está aí oportunidade ímpar para se limpar todo e qualquer entulho de corrupção da vida brasiliense, seja no GDF, seja na Câmara Legislativa ou até mesmo no Ministério Público e no Judiciário. No mais, cabe ao eleitor assimilar no todo e de uma vez por todas a lição de agora e cumprir seu papel nas urnas, não dando chance a aventureiros, não permitindo que senão aqueles de reputação inquestionavelmente ilibada tenham acesso aos cargos preenchidos segundo a vontade popular. É essa a única resposta segura para as agruras presentes, o único meio de assegurar que a capital honre o país e cumpra com retidão o seu destino de liderança.
Urge atentar-se também para as tentativas torpes de confundir nomes com instituições. A autonomia política é uma conquista definitiva de Brasília. Se a Câmara Legislativa não corresponde aos anseios do brasiliense, a falha não está na existência da Casa. É mais uma vez nas urnas que se encontrará as ferramentas capazes de mantê-la dentro dos parâmetros da democracia, do respeito à consciência do cidadão, da civilidade, enfim. Estivesse cumprindo a contento seu papel constitucional, esse poder não estaria sob questionamentos. Ao contrário, estaria não apenas à margem da atual crise, como teria, desde o início, atuado para resolver o imbróglio. Em suma, vale ressaltar, os vícios de que padecem alguns dos deputados distritais são passíveis de expurgo pela via eleitoral.
Há anos, a cidade que abriga os Três Poderes da República paga o preço de escândalos importados. É para cá que apontam os dedos quando a corrupção, a mordomia, o desmando caem na boca do povo, venham de qual for o canto deste imenso país. Desta vez, contudo, é diferente. A crise é mesmo brasiliense. E o Distrito Federal não fugirá à responsabilidade de encará-la de frente. Saberá enfrentá-la de cabeça erguida, ainda que na origem estejam graves distorções da política nacional, pelas quais não pode responder sozinho. Não importa. O DF tem a obrigação de liderar o processo de correção de rumos que a nação está a exigir faz tempo. Que a assuma desde já.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Os PMs e o governador
Policiais militares e bombeiros fizeram manifestação de apoio ao governador Arruda no acesso da Residência Oficial de Águas Claras. Provavelmente o fato deverá ocupar um bom espaço nos jornais governistas amanhã.
Este post é apenas para lamentar: ver policiais, homens que deveriam zelar pela segurança da população, apoiando um governador corrupto, mostra que alguma coisa está muito errada.
Este post é apenas para lamentar: ver policiais, homens que deveriam zelar pela segurança da população, apoiando um governador corrupto, mostra que alguma coisa está muito errada.
domingo, 6 de dezembro de 2009
Mais uma do blog da Ana Maria
Vamos com um texto do blog da principal jornalista do Sistema Arruda de Comunicação: Ana Maria Campos. Ela conta os bastidores da entrevista com o governador. Destaque para a parte que ela fala que fez todas as perguntas!
Making of de uma entrevista
Fiz várias entrevistas com o governador Arruda em minha carreira como jornalista. As primeiras ocorreram quando ele era senador, poderoso líder do governo FHC no Senado.
Na época da crise da violação do painel do Senado, eu trabalhava no Jornal do Brasil e cobria o Congresso. Como tinha experiência com a política local, fui escalada para virar a sombra de Arruda. Tinha de saber tudo o que ele fazia, com quem conversava e o que pensava. No fim do dia, depois de escrever a matéria sobre todas as confusões, eu fazia uma avaliação sobre os rumos da crise.
Outros jornais noticiavam que Arruda pensava em renunciar e meu chefe na época -- o jornalista Expedito Filho -- me cobrava. Eu garantia: ele ainda não pensa num ato extremo. Seguia lutando.
Numa noite, ouvindo pessoas bem próximas de Arruda, tive a certeza de que ele desistira e bancamos que no dia seguinte, o então poderoso senador renunciaria às 10 horas da manhã. Dito e feito. Arruda foi à tribuna do Senado e desistiu do mandato.
Depois da renúncia, ele deu várias entrevistas em casa. Mas eu e Expedito voltamos à tarde quando já não havia nenhum jornalista. Arruda nos deixou subir no apartamento da 114 Sul, onde morava, e conversamos sobre o episódio até então mais triste de sua vida. Ele estava muito abalado, cercado de poucos amigos, e abriu o coração para nós.
Nesse dia, ele falou pela primeira uma frase que ficou célebre sobre o pós-renúncia. Usamos na matéria do dia seguinte e depois ele repetiu muitas vezes: "Sinto-me como se estivesse assistindo ao meu próprio velório".
Arruda foi o fundo do poço. Mas sobreviveu.
Eu ainda tive muitas oportunidades de entrevistá-lo. Arruda virou o deputado federal mais votado de Brasília, derrotou Paulo Octávio no partido, conseguiu se tornar candidato e se elegeu governador no primeiro turno em 2006.
Nesta semana, tive a oportunidade de entrevistá-lo novamente num momento crítico.
Muita gente considerou que seria uma entrevista amigável porque ele quis falar ao jornal da cidade. Mas não foi. Fizemos quase todas as perguntas que poderíamos fazer: confesso que no calor do debate eu deixei de perguntar se ele sabia a origem do dinheiro que supostamente comprou os panetones.
Perguntamos todo o resto. Insistimos muito na relação com Durval Barbosa. Ele se saiu muito bem nas respostas porque uma de suas qualidades é o poder da oratória. Arruda não consegue explicar, no entanto, por que manteve Durval tanto tempo em seu governo. Depois entrou numa contradição: disse que estava aliviado por se livrar de Durval, mas negou que estivesse sendo chantageado.
Ele estava com um ar de quem está disposto a brigar, a tentar tudo e não desistir facilmente. Mas está magoado com toda a cobertura e tem dificuldades para aguentar tantos ataques calado. "Estou apanhando muito", disse, quando se despedia de mim e da Lilian Tahan, minha colega na cobertura e amiga.
Quando encerrei a entrevista, tive a convicção de que ele não se entregou ainda. Vai brigar pelo mandato, até porque sabe que agora uma renúncia terá um significado definitivo.
Mas tudo vai depender do tom da crise. Só o tempo dirá quanto tempo Arruda vai resistir. O fim de semana pode piorar muito a situação dele se as revistas semanais vierem com histórias bombásticas. A decisão do DEM sobre apoiá-lo ou expulsá-lo também será fundamental.
Vamos aguardar.
Making of de uma entrevista
Fiz várias entrevistas com o governador Arruda em minha carreira como jornalista. As primeiras ocorreram quando ele era senador, poderoso líder do governo FHC no Senado.
Na época da crise da violação do painel do Senado, eu trabalhava no Jornal do Brasil e cobria o Congresso. Como tinha experiência com a política local, fui escalada para virar a sombra de Arruda. Tinha de saber tudo o que ele fazia, com quem conversava e o que pensava. No fim do dia, depois de escrever a matéria sobre todas as confusões, eu fazia uma avaliação sobre os rumos da crise.
Outros jornais noticiavam que Arruda pensava em renunciar e meu chefe na época -- o jornalista Expedito Filho -- me cobrava. Eu garantia: ele ainda não pensa num ato extremo. Seguia lutando.
Numa noite, ouvindo pessoas bem próximas de Arruda, tive a certeza de que ele desistira e bancamos que no dia seguinte, o então poderoso senador renunciaria às 10 horas da manhã. Dito e feito. Arruda foi à tribuna do Senado e desistiu do mandato.
Depois da renúncia, ele deu várias entrevistas em casa. Mas eu e Expedito voltamos à tarde quando já não havia nenhum jornalista. Arruda nos deixou subir no apartamento da 114 Sul, onde morava, e conversamos sobre o episódio até então mais triste de sua vida. Ele estava muito abalado, cercado de poucos amigos, e abriu o coração para nós.
Nesse dia, ele falou pela primeira uma frase que ficou célebre sobre o pós-renúncia. Usamos na matéria do dia seguinte e depois ele repetiu muitas vezes: "Sinto-me como se estivesse assistindo ao meu próprio velório".
Arruda foi o fundo do poço. Mas sobreviveu.
Eu ainda tive muitas oportunidades de entrevistá-lo. Arruda virou o deputado federal mais votado de Brasília, derrotou Paulo Octávio no partido, conseguiu se tornar candidato e se elegeu governador no primeiro turno em 2006.
Nesta semana, tive a oportunidade de entrevistá-lo novamente num momento crítico.
Muita gente considerou que seria uma entrevista amigável porque ele quis falar ao jornal da cidade. Mas não foi. Fizemos quase todas as perguntas que poderíamos fazer: confesso que no calor do debate eu deixei de perguntar se ele sabia a origem do dinheiro que supostamente comprou os panetones.
Perguntamos todo o resto. Insistimos muito na relação com Durval Barbosa. Ele se saiu muito bem nas respostas porque uma de suas qualidades é o poder da oratória. Arruda não consegue explicar, no entanto, por que manteve Durval tanto tempo em seu governo. Depois entrou numa contradição: disse que estava aliviado por se livrar de Durval, mas negou que estivesse sendo chantageado.
Ele estava com um ar de quem está disposto a brigar, a tentar tudo e não desistir facilmente. Mas está magoado com toda a cobertura e tem dificuldades para aguentar tantos ataques calado. "Estou apanhando muito", disse, quando se despedia de mim e da Lilian Tahan, minha colega na cobertura e amiga.
Quando encerrei a entrevista, tive a convicção de que ele não se entregou ainda. Vai brigar pelo mandato, até porque sabe que agora uma renúncia terá um significado definitivo.
Mas tudo vai depender do tom da crise. Só o tempo dirá quanto tempo Arruda vai resistir. O fim de semana pode piorar muito a situação dele se as revistas semanais vierem com histórias bombásticas. A decisão do DEM sobre apoiá-lo ou expulsá-lo também será fundamental.
Vamos aguardar.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Leia o blog do Vicente Nunes
Infelizmente Vicente Nunes é repórter de Economia do Correio Braziliense. Mas no seu blog ele realiza o trabalho que editores e colegas como Ana Maria Campos e Lilian Tahan não fazem nas páginas do jornal: criticar o esquema de corrupção no GDF. Então aproveite e leia o http://www.dzai.com.br/blog/blogdovicente
A desmoralização do delator
O Correio Braziliense, depois da lamentável entrevista de ontem, apontou na edição de hoje qual o caminho continuará trilhando: o da desmoralização do delator. Colocar dois repórteres para levantar todos os processos e os valores que teriam sido desviados por Durval Barbosa serviu apenas para reforçar a defesa (absurda) de Arruda. O jornal inclusive repete a informação dada ontem na entrevista de que o atual governo teria economizado 300 milhões de reais com os contratos de informática, mas lançou a informação sem conferir valores de contratos.
Os mesmos dois repórteres que assinam a matéria com a ficha policial de Durval Barbosa poderiam fazer um levantamento com os valores de contratos de todas as empresas apontadas no inquérito do STJ. Então, poderiam calcular quanto dinheiro abasteceu o esquema do mensalão. Esta sim seria uma matéria bastante interessante para os leitores do Distrito Federal e do Brasil. Mas infelizmente a pauta do jornal é definida pelo interesse do Governador.
Os mesmos dois repórteres que assinam a matéria com a ficha policial de Durval Barbosa poderiam fazer um levantamento com os valores de contratos de todas as empresas apontadas no inquérito do STJ. Então, poderiam calcular quanto dinheiro abasteceu o esquema do mensalão. Esta sim seria uma matéria bastante interessante para os leitores do Distrito Federal e do Brasil. Mas infelizmente a pauta do jornal é definida pelo interesse do Governador.
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Agência oficial do Governo Arruda
O Correio Braziliense se tornou oficialmente a Agência de Comunicação do GDF. Veja a capa, leia a entrevista de duas páginas e tire suas próprias conclusões. A única solução é um boicote organizado ao jornal, com cancelamento de assinaturas e tudo mais. Brasília não merece os políticos que tem, e não merece um jornal vendido como o Correio Braziliense.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
E agora?
O Correio Braziliense, aos poucos, vai aumentando o espaço para a cobertura da Operação Caixa de Pandora. A capa de hoje traz até o nosso Governador! Depois de três dias parece que o jornal descobre quem é o responsável por toda a bagunça. Até mesmo o Ari Cunha fala do assunto na sua coluna.
Mas enquanto o CB faz sua cobertura protocolar, vamos com o editorial do Estado de São Paulo de hoje.
"A podridão no Distrito Federal"
Sempre pode ficar pior. Quando se pensava que as denúncias de corrupção no Distrito Federal (DF) tinham alcançado o seu pico nos sucessivos governos de Joaquim Roriz, eis que a Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal (PF), destampa um dos mais bem documentados escândalos do gênero no País. O governador José Roberto Arruda, o único eleito pelo DEM em 2006, é acusado de chefiar um esquema de pagamento sistemático de propinas a auxiliares diretos, membros do seu secretariado e deputados distritais, perfazendo R$ 600 mil mensais. A dinheirama vinha do caixa 2 de empresas fornecedoras do governo. Desde os tempos de Roriz, elas vinham pagando pedágio para fechar contratos, não raro superfaturados, com a administração local.
Um vídeo arrasador mostra Arruda recebendo R$ 50 mil das mãos do seu então secretário de Relações Institucionais - o título é uma preciosidade -, Durval Barbosa. Ex-policial civil, ele dirigiu no governo Roriz a Companhia de Desenvolvimento do Planalto (Codeplan) e depois, apropriadamente, foi caixa de campanha de Arruda. Os negócios da estatal chamaram a atenção do Ministério Público e motivaram a abertura de mais de 20 processos contra Barbosa. Em troca de uma condenação mais branda, ele aceitou trabalhar para a Polícia Federal, no sistema de delação premiada. Especialista em gravações clandestinas, ele ajudou a registrar a entrega da bolada a Arruda - e o desconforto deste.
"Você poderia passar lá em casa", sugere, "porque descer com isso aqui é ruim." No fim, quem leva o dinheiro, dentro de um envelope pardo, é o motorista do governador. Divulgado o vídeo, o secretário de Ordem Pública do DF, Roberto Giffoni, alegou que as imagens são de 2005, quando Arruda era deputado e Barbosa presidia a Codeplan, e que a soma era para ser gasta na compra de panetones a serem distribuídos a crianças carentes. Algumas das 30 fitas produzidas por Barbosa com uma câmera escondida parecem um clipe da lambança. O melhor momento é o que mostra o presidente da Câmara Legislativa (o equivalente às assembleias estaduais), Leonardo Prudente, literalmente enchendo os bolsos de dinheiro; quando não cabia mais, ele enfia um maço de notas nas meias.
O mensalão do DEM, como vem sendo chamado o esquema, contemplou também, entre diversos outros integrantes da base aliada de Arruda, o corregedor da Câmara, Júnior Brunelli. Segundo Barbosa, desde dezembro de 2002, ele recebe R$ 30 mil mensais. Numa cena tocante, ele, Brunelli e Prudente são vistos abraçados fazendo uma oração: "Nós precisamos da Tua cobertura e dessa Tua graça?", rogam, em dado momento. Outra filmagem registra um encontro de Barbosa com Marcelo Carvalho, que administra as empresas do vice-governador Paulo Octávio (DEM). Carvalho aparece recebendo uma pasta preta de Barbosa. Conforme seu depoimento à Polícia Federal e ao Ministério Público, o executivo era quem repassava a parte que tocava ao vice - 30% da contribuição de campanha de uma empresa, segundo uma anotação.
A primeira reação de Arruda, na sexta-feira, quando a PF executou 16 mandados de busca e apreensão, foi demitir Barbosa e um punhado de outros suspeitos. No domingo, ele e Paulo Octávio divulgaram uma nota espantosa em que se apresentam como vítimas perplexas de um "ato de torpe vilania" para "tentar manchar o trabalho sério e bem-sucedido que tem sido feito pela nossa administração". A palavra de Arruda já se sabe o que vale. Em 2001, então senador, subiu à tribuna e, em lágrimas, jurou ser inocente da acusação de ter participado da violação do sigilo do painel de votações da Casa, no caso da cassação de Luiz Estevão, do DF. Dias depois, admitiu a culpa e renunciou ao mandato - para não ser cassado também, é claro. Agora, para não ser expulso do DEM, poderia se desfiliar da sigla. Já se renunciar ao mandato perderá o foro privilegiado.
O seu governo, de todo modo, acabou - para não falar na sua candidatura à reeleição. A questão é quando ele será removido do cargo. A oposição fala em impeachment, mas só detém 5 das 24 cadeiras da Câmara Legislativa. E a sua sucessão será um imbróglio, dadas as acusações ao seu vice e ao presidente da Câmara. A turbulência no DF promete durar tanto quanto a corrupção entranhada no seu governo
Mas enquanto o CB faz sua cobertura protocolar, vamos com o editorial do Estado de São Paulo de hoje.
"A podridão no Distrito Federal"
Sempre pode ficar pior. Quando se pensava que as denúncias de corrupção no Distrito Federal (DF) tinham alcançado o seu pico nos sucessivos governos de Joaquim Roriz, eis que a Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal (PF), destampa um dos mais bem documentados escândalos do gênero no País. O governador José Roberto Arruda, o único eleito pelo DEM em 2006, é acusado de chefiar um esquema de pagamento sistemático de propinas a auxiliares diretos, membros do seu secretariado e deputados distritais, perfazendo R$ 600 mil mensais. A dinheirama vinha do caixa 2 de empresas fornecedoras do governo. Desde os tempos de Roriz, elas vinham pagando pedágio para fechar contratos, não raro superfaturados, com a administração local.
Um vídeo arrasador mostra Arruda recebendo R$ 50 mil das mãos do seu então secretário de Relações Institucionais - o título é uma preciosidade -, Durval Barbosa. Ex-policial civil, ele dirigiu no governo Roriz a Companhia de Desenvolvimento do Planalto (Codeplan) e depois, apropriadamente, foi caixa de campanha de Arruda. Os negócios da estatal chamaram a atenção do Ministério Público e motivaram a abertura de mais de 20 processos contra Barbosa. Em troca de uma condenação mais branda, ele aceitou trabalhar para a Polícia Federal, no sistema de delação premiada. Especialista em gravações clandestinas, ele ajudou a registrar a entrega da bolada a Arruda - e o desconforto deste.
"Você poderia passar lá em casa", sugere, "porque descer com isso aqui é ruim." No fim, quem leva o dinheiro, dentro de um envelope pardo, é o motorista do governador. Divulgado o vídeo, o secretário de Ordem Pública do DF, Roberto Giffoni, alegou que as imagens são de 2005, quando Arruda era deputado e Barbosa presidia a Codeplan, e que a soma era para ser gasta na compra de panetones a serem distribuídos a crianças carentes. Algumas das 30 fitas produzidas por Barbosa com uma câmera escondida parecem um clipe da lambança. O melhor momento é o que mostra o presidente da Câmara Legislativa (o equivalente às assembleias estaduais), Leonardo Prudente, literalmente enchendo os bolsos de dinheiro; quando não cabia mais, ele enfia um maço de notas nas meias.
O mensalão do DEM, como vem sendo chamado o esquema, contemplou também, entre diversos outros integrantes da base aliada de Arruda, o corregedor da Câmara, Júnior Brunelli. Segundo Barbosa, desde dezembro de 2002, ele recebe R$ 30 mil mensais. Numa cena tocante, ele, Brunelli e Prudente são vistos abraçados fazendo uma oração: "Nós precisamos da Tua cobertura e dessa Tua graça?", rogam, em dado momento. Outra filmagem registra um encontro de Barbosa com Marcelo Carvalho, que administra as empresas do vice-governador Paulo Octávio (DEM). Carvalho aparece recebendo uma pasta preta de Barbosa. Conforme seu depoimento à Polícia Federal e ao Ministério Público, o executivo era quem repassava a parte que tocava ao vice - 30% da contribuição de campanha de uma empresa, segundo uma anotação.
A primeira reação de Arruda, na sexta-feira, quando a PF executou 16 mandados de busca e apreensão, foi demitir Barbosa e um punhado de outros suspeitos. No domingo, ele e Paulo Octávio divulgaram uma nota espantosa em que se apresentam como vítimas perplexas de um "ato de torpe vilania" para "tentar manchar o trabalho sério e bem-sucedido que tem sido feito pela nossa administração". A palavra de Arruda já se sabe o que vale. Em 2001, então senador, subiu à tribuna e, em lágrimas, jurou ser inocente da acusação de ter participado da violação do sigilo do painel de votações da Casa, no caso da cassação de Luiz Estevão, do DF. Dias depois, admitiu a culpa e renunciou ao mandato - para não ser cassado também, é claro. Agora, para não ser expulso do DEM, poderia se desfiliar da sigla. Já se renunciar ao mandato perderá o foro privilegiado.
O seu governo, de todo modo, acabou - para não falar na sua candidatura à reeleição. A questão é quando ele será removido do cargo. A oposição fala em impeachment, mas só detém 5 das 24 cadeiras da Câmara Legislativa. E a sua sucessão será um imbróglio, dadas as acusações ao seu vice e ao presidente da Câmara. A turbulência no DF promete durar tanto quanto a corrupção entranhada no seu governo
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Ricardo Noblat - Cadê meu panetone?
Enquanto a imprensa local sofre para escrever sobre a Caixa de Pandora, vamos com a coluna do Noblat de hoje no O Globo.
Ricardo Noblat
- Pois é... Arruda, agora, vai comer o panetone que o Diabo amassou. (De Túlio Otoni, jornalista mineiro, em seu twitter)
Cadê meu panetone?
Pouco importa o que venha a fazer o governador José Roberto Arruda (DEM), do Distrito Federal. Pode ficar no cargo para evitar o risco de ser preso. Pode pedir licença. Se renunciar ao mandato tanto pior. Mas uma coisa é certa: o plano de se reeleger foi engolido pelo mensalão embolsado por ele e sua turma. Não tem pão? Vá comer panetone.
Esse, sim, é um mensalão digno de ser encarado como tal e tratado com deferência. Perto do mensalão de Arruda, o do PT denunciado pelo ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) não passou de um mensalinho. É razoável supor que o mensalão do PT movimentou mais grana. Ocorre que ele era federal. O novo mensalão é distrital. De resto, vista de longe, Brasília se limita à Esplanada dos Ministérios.
É por isso que a maioria dos brasileiros não dá bola para o que se passa dentro das quatro linhas da política brasiliense. A imprensa de fora só raramente – embora muitos dos seus jornalistas vivam aqui. Esqueça a imprensa local. O DNA dela é governista. No último sábado, por exemplo, os dois principais jornais da cidade operaram o prodígio de noticiar o mensalão de Arruda livrando a cara de... De quem mesmo? De Arruda.
A imagem inaugural do mensalão do PT foi aquela do funcionário da empresa Correios & Telégrafos recebendo uma gorjeta de R$ 3 mil. A do mensalão do DEM foi a do governador recebendo uma gorda quantia de dinheiro. A gorjeta foi paga por um ex-bicheiro interessado em fazer negócios com o Correios. O dinheiro foi entregue a Arruda pelo seu secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa.
Não há um único depoimento que incrimine Lula ou o vice-presidente José Alencar na denúncia aceita pelo Supremo Tribunal Federal (STF) contra os mensaleiros do PT. Fita de vídeo ou de áudio que flagre mensaleiros de alto coturno discutindo a partilha do “faz-me rir”? Não existe. Mesmo contra o ex-ministro José Dirceu, apontado como chefe da “organização criminosa”, há poucos indícios de fato consistentes.
Arruda também foi filmado conversando com Durval e com o chefe da Casa Civil do governo sobre a necessidade de unificar a forma de pagamento de propinas a secretários de Estados e deputados distritais. E outra vez foi filmado ouvindo Durval explicar que 40% do dinheiro arrecadado junto a quatro empresas da área de informática caberiam a ele, Arruda, 30% ao vice-governador Paulo Octavio e o resto ao demais beneficiados.
Há pontos em comum entre os dois mensalões. Primeiro: o dinheiro serviu para facilitar a aprovação na Câmara dos Deputados e na Câmara Legislativa do Distrito Federal de projetos dos governos Lula e Arruda. Segundo: os presidentes de ambas as Câmaras participaram do esquema. Terceiro: Lula chamou seu mensalão de Caixa 2. Arruda chamou o dele de ação meritória para a compra de panetones destinados a saciar a fome dos pobres.
Sempre se poderá dizer que os mensaleiros do PT demonstraram mais esperteza. Deixaram menos rastros capazes de mandá-los para a cadeia. Os mensaleiros distritais foram confiantes demais, relapsos demais e acreditaram em excesso que escapariam impunes. Produziram o mais bem documentado escândalo da história política recente do País. Coisa de deixar Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, de queixo caído.
Os mensaleiros do PT tentaram se apossar da máquina do Estado, segundo a denúncia acolhida pelo STF. Os mensaleiros de Brasília, não – a máquina do Estado é deles desde que Joaquim Roriz chegou ao poder pela primeira vez. Ele governou quatro vezes. Em 2006, ajudou seu ex-pupilo Arruda a se eleger. Arruda herdou de Roriz parte dos seus auxiliares. Durval foi um. Afinal, por que mexer em time que estava ganhando?
O calendário gregoriano nada tem a ver com o calendário político. A se levar em conta o primeiro, o governo Arruda acabaria no dia 31 de dezembro de 2010. Com base no segundo, o governo acabou na semana passada.
Ricardo Noblat
- Pois é... Arruda, agora, vai comer o panetone que o Diabo amassou. (De Túlio Otoni, jornalista mineiro, em seu twitter)
Cadê meu panetone?
Pouco importa o que venha a fazer o governador José Roberto Arruda (DEM), do Distrito Federal. Pode ficar no cargo para evitar o risco de ser preso. Pode pedir licença. Se renunciar ao mandato tanto pior. Mas uma coisa é certa: o plano de se reeleger foi engolido pelo mensalão embolsado por ele e sua turma. Não tem pão? Vá comer panetone.
Esse, sim, é um mensalão digno de ser encarado como tal e tratado com deferência. Perto do mensalão de Arruda, o do PT denunciado pelo ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) não passou de um mensalinho. É razoável supor que o mensalão do PT movimentou mais grana. Ocorre que ele era federal. O novo mensalão é distrital. De resto, vista de longe, Brasília se limita à Esplanada dos Ministérios.
É por isso que a maioria dos brasileiros não dá bola para o que se passa dentro das quatro linhas da política brasiliense. A imprensa de fora só raramente – embora muitos dos seus jornalistas vivam aqui. Esqueça a imprensa local. O DNA dela é governista. No último sábado, por exemplo, os dois principais jornais da cidade operaram o prodígio de noticiar o mensalão de Arruda livrando a cara de... De quem mesmo? De Arruda.
A imagem inaugural do mensalão do PT foi aquela do funcionário da empresa Correios & Telégrafos recebendo uma gorjeta de R$ 3 mil. A do mensalão do DEM foi a do governador recebendo uma gorda quantia de dinheiro. A gorjeta foi paga por um ex-bicheiro interessado em fazer negócios com o Correios. O dinheiro foi entregue a Arruda pelo seu secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa.
Não há um único depoimento que incrimine Lula ou o vice-presidente José Alencar na denúncia aceita pelo Supremo Tribunal Federal (STF) contra os mensaleiros do PT. Fita de vídeo ou de áudio que flagre mensaleiros de alto coturno discutindo a partilha do “faz-me rir”? Não existe. Mesmo contra o ex-ministro José Dirceu, apontado como chefe da “organização criminosa”, há poucos indícios de fato consistentes.
Arruda também foi filmado conversando com Durval e com o chefe da Casa Civil do governo sobre a necessidade de unificar a forma de pagamento de propinas a secretários de Estados e deputados distritais. E outra vez foi filmado ouvindo Durval explicar que 40% do dinheiro arrecadado junto a quatro empresas da área de informática caberiam a ele, Arruda, 30% ao vice-governador Paulo Octavio e o resto ao demais beneficiados.
Há pontos em comum entre os dois mensalões. Primeiro: o dinheiro serviu para facilitar a aprovação na Câmara dos Deputados e na Câmara Legislativa do Distrito Federal de projetos dos governos Lula e Arruda. Segundo: os presidentes de ambas as Câmaras participaram do esquema. Terceiro: Lula chamou seu mensalão de Caixa 2. Arruda chamou o dele de ação meritória para a compra de panetones destinados a saciar a fome dos pobres.
Sempre se poderá dizer que os mensaleiros do PT demonstraram mais esperteza. Deixaram menos rastros capazes de mandá-los para a cadeia. Os mensaleiros distritais foram confiantes demais, relapsos demais e acreditaram em excesso que escapariam impunes. Produziram o mais bem documentado escândalo da história política recente do País. Coisa de deixar Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, de queixo caído.
Os mensaleiros do PT tentaram se apossar da máquina do Estado, segundo a denúncia acolhida pelo STF. Os mensaleiros de Brasília, não – a máquina do Estado é deles desde que Joaquim Roriz chegou ao poder pela primeira vez. Ele governou quatro vezes. Em 2006, ajudou seu ex-pupilo Arruda a se eleger. Arruda herdou de Roriz parte dos seus auxiliares. Durval foi um. Afinal, por que mexer em time que estava ganhando?
O calendário gregoriano nada tem a ver com o calendário político. A se levar em conta o primeiro, o governo Arruda acabaria no dia 31 de dezembro de 2010. Com base no segundo, o governo acabou na semana passada.
E o Correio Braziliense começa a acordar
Depois de dois dias, o Correio Braziliense parece ter descoberto que existe uma crise no DF. A capa é ilustrada pelas fotos dos deputados recebendo o dinheiro de Durval Barbosa. Mas onde está a foto do Governador com o dinheiro do Panetone? No mais, tentativa de chamar a atenção do envolvimento de magistrados do TJDF e, pela primeira vez, uma manifestação na "Visão do Correio" pedindo "Explicações Já". Parece que o jornal começou a acordar, e mesmo sonolento, vê que é difícil salvar o Governador.
domingo, 29 de novembro de 2009
Para ficar com mais raiva
A sugestão é a leitura do blog de uma das seguidoras do Governador Arruda, a jornalista Ana Maria Campos. Lá ela conta os "bastidores" da Operação. Em um post publicado agora à tarde, ela afirma que "todo o meio político" já sabia das gravações de Durval Barbosa. Na sexta-feira, ela também já tinha escrito que todos sabiam que o ex-secretário seria um "homem-bomba". Agora algumas perguntas para a jornalista:
- Se todos sabiam, qual o motivo do Correio Braziliense nunca ter tocado no assunto?
- Quando você escreverá um texto realmente informativo sobre a operação para as páginas do Correio Braziliense?
- Existe uma ordem da direção do jornal para abafar o caso, assim como já estava acontecendo nos últimos tempos?
- Se todos sabiam, qual o motivo do Correio Braziliense nunca ter tocado no assunto?
- Quando você escreverá um texto realmente informativo sobre a operação para as páginas do Correio Braziliense?
- Existe uma ordem da direção do jornal para abafar o caso, assim como já estava acontecendo nos últimos tempos?
Um pouco mais de Correio Braziliense
Quem pega o Correio Braziliense deste domingo acha que nada está acontecendo em Brasília. O jornal dá apenas duas páginas paa cobertura da Operação Caixa de Pandora, praticamente sem citar o governador. O editorial do jornal nem toca no assunto. E nas cartas dos leitores... nada! Será que o Correio não recebeu nenhuma carta/e-mail/telefonema sobre a roubalheira no DF?
Vergonha
Tenho vergonha de morar em uma cidade que consegue eleger Roriz. Tenho vergonha de morar em uma cidade que consegue eleger um mentiroso como governador. Mas tenho mais vergonha ainda de morar em uma cidade em que o principal jornal é o Correio Braziliense. A capa deste domingo é a superação: enquanto a cidade pega fogo com o vídeo do Governador recebendo o dinheiro do Panetone, a manchete principal é sobre o crack! E ali, no meio da página, quase escondida, uma manchete sobre o desejo da OAB de apurar o caso.
As matérias internas (sempre sob responsabilidade das "isentas" Ana Maria Campos e Lilian Tahan) preferem falar da reação do governo. É vergonhoso! Acorda povo do Distrito Federal
As matérias internas (sempre sob responsabilidade das "isentas" Ana Maria Campos e Lilian Tahan) preferem falar da reação do governo. É vergonhoso! Acorda povo do Distrito Federal
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sábado, 28 de novembro de 2009
Jornais no dia seguinte à abertura da Caixa de Pandora
Manhã de sábado e as manchetes de todos os jornais destacam a Operação Caixa de Pandora. O Correio Braziliense não teve como escapar. Mas enquanto o Estado de São Paulo destaca "Polícia flagra ‘mensalão do DEM’ no governo do DF" e o Globo traz na manchete "Governador do DEM é suspeito de pagar propina a deputados", o CB prefere algo mais discreto: "GDF e distritais são alvo de investigação". Nas matérias internas, poucas referências ao governador, como a detyerminação para afastamento dos investigados (quando ele se afastará?). Mas como não podia deixar de ser, uma matéria de Lilian Tahan e Ana Maria Campos (as fiéis seguidoras dos passos do Governador) segue a linha de desqualificar a principal testemunha: "O homem que fazia grampos ilegais".
Mas qual seria a preocupação do Correio Braziliense com toda a história? Será que o milionário contrato dos Diários Associados com o GDF também possui irregularidades? De concreto até agora apenas uma referência ao modo Arruda de fazer política com a ajuda do CB. Clique aqui para ler o depoimento de Durval Barbosa ao Ministério Público. Na página 14 do arquivo, é relatado um almoço entre Arruda, José Celso Gontijo e Alvaro Teixeira (do Correio Braziliense) em que fica acertada uma campanha "difamatória" contra Durval. Quantos almoços do mesmo tipo devem ter ocorrido nos últimos anos para Arruda determinar as pautas do CB?
Mas qual seria a preocupação do Correio Braziliense com toda a história? Será que o milionário contrato dos Diários Associados com o GDF também possui irregularidades? De concreto até agora apenas uma referência ao modo Arruda de fazer política com a ajuda do CB. Clique aqui para ler o depoimento de Durval Barbosa ao Ministério Público. Na página 14 do arquivo, é relatado um almoço entre Arruda, José Celso Gontijo e Alvaro Teixeira (do Correio Braziliense) em que fica acertada uma campanha "difamatória" contra Durval. Quantos almoços do mesmo tipo devem ter ocorrido nos últimos anos para Arruda determinar as pautas do CB?
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sexta-feira, 27 de novembro de 2009
A derrocada do governo Arruda e a cobertura do Correio Braziliense
Hoje foi um dia histórico para o Distrito Federal. A operação determinada pelo Superior Tribunal de Justiça jogou na lama um governo que aparecia para todo o Brasil como eficiente, moderno e exemplar. Agora, o governador Arruda terá apenas uma opção: a renúncia! Ao longo de toda a sexta-feira, o jornal Correio Braziliense tentou esconder o governador. Jogou a culpa do ocorrido para secretários e deputados distritais. Ocorre que a operação terá reperceussão nacional, e todos os jornais deverão neste sábado trazer detalhes sobre o envolvimento do governador. Fica nossa curiosidade de saber como será a cobertura do Correio. Aguardemos...
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quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Textos que você não vai ler no Correio Braziliense nº 1
Depois de alguns dias sem atualização, voltamos com a criação de uma nova sessão: "Textos que você não vai ler no Correio Braziliense". Abrimos com um texto do jornalista Leandro Fortes, da revista Carta Capital.
Folia terceirizada
Leandro Fortes
O carnaval de Brasília é um horror. Você pode defender muita coisa por aqui – o verde, o céu, o sol, a chuva, a paz, a tranqüilidade, as pistas largas – menos o carnaval. Primeiro porque, todo ano, chove no carnaval. É sempre uma festa mixuruca, mantida por uns poucos foliões recalcitrantes dispostos a colocar nas ruas um simulacro de desfile de escolas de sambas que não passam de um arremedo, quando não uma versão maltrapilha, das escolas de samba do Rio de Janeiro e, vá lá, de São Paulo. O carnaval daqui é tão ruim, que nem o governador José Roberto Arruda, do DEM, empenhadíssimo em comemorar o cinqüentenário da capital federal, em 2010, se arriscou a bolar alguma coisa especial para a folia do ano que vem. Preferiu, na verdade, financiar uma escola do Rio, a Beija Flor, e financiar seus dirigentes, capitaneados por um bicheiro condenado pela Justiça, com dinheiro do contribuinte local.
Na imprensa de Brasília não se lê uma só linha a respeito, mas há pouco menos de dois meses, em 29 de setembro, o banqueiro do jogo do bicho Aniz Abraão David, 65 anos, presidente de honra da escola de samba Beija Flor de Nilópolis, do Rio de Janeiro, recebeu um cheque de 1,5 milhão de reais do governo do Distrito Federal. Até o carnaval do ano que vem, Anísio, como é conhecido o bicheiro, deverá receber outros 1,5 milhão para colocar na avenida o samba enredo “Brilhante como o sol do novo mundo, Brasília do sonho à realidade, a capital da esperança”, em homenagem à criação de Juscelino Kubitschek – que aliás, deve estar se remexendo no túmulo diante de tal homenagem. É também, certamente, por achar que isso é bastante dinheiro público na mão de um contraventor cuja ficha policial daria para cobrir parte considerável da Marquês de Sapucaí.
Aniz Abraão foi preso, pela primeira vez, em 1993, durante um histórico arrastão judicial comandado pela juíza Denise Frossard, no Rio de Janeiro, contra os principais chefes do jogo do bicho no estado. Condenado a seis anos de prisão, ficou apenas três anos na cadeia, de onde foi libertado por bom comportamento. Em abril de 2007, no entanto, Anísio voltou a ser preso, desta vez pela Polícia Federal, durante a Operação Hurricane, acusado de ligação com a máfia de contrabando de máquinas ilegais de caça-níqueis. Libertado por uma liminar do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, também passou pouco tempo na cadeia. Em outubro de 2008, passou outra rápida temporada no xadrez, acusado de lavar dinheiro da mesma máfia carioca, mas em Natal, no Rio Grande do Norte.
Vale lembrar que entre os registros da Operação Hurricane a PF apresentou grampos telefônicos onde Aniz Abraão faz ameaças a jurados e seus familiares para forçá-los a dar o título de campeã do carnaval 2007 – o que, de fato, aconteceu.
Mesmo com essa ficha corrida, Aniz Abraão David foi colocado no centro de uma negociação nebulosa na qual se envolveram também o irmão dele, Farid Abraão David, presidente-executivo da Beija Flor, o governador do DF, José Roberto Arruda (DEM), o vice Paulo Octávio Pereira (DEM), a Liga das Escolas de Samba do Rio (Liesa), carnavalescos de Brasília, uma filha de JK, um executivo da TV Globo e um apadrinhado do carnavalesco Joãosinho Trinta, um dos símbolos da escola de Nilópolis. A primeira escola de samba carioca a se interessar pela carnavalesca oferta de recursos distritais foi a Portela, em fevereiro de 2008. Na época, um dos dirigentes da escola, Carlos Monte, pai da cantora Marisa Monte, mandou um pré-projeto de samba enredo ao governador Arruda, antes mesmo do anúncio oficial do GDF. Em seguida, formalizada a disposição do governo local, veio a Brasília o presidente da Portela, Nilo Figueiredo, para se reunir com o vice Paulo Octávio, casado com uma neta de JK, Anna Christina Kubitschek. Mas o peso familiar do criador de Brasília só foi sentido mesmo uma semana depois, quando outra escola de samba do Rio, a Mocidade Independente de Padre Miguel, se interessou pelo patrocínio oferecido pelo governo do Distrito Federal. Os dirigentes da escola se apresentaram para a disputa na capital com uma madrinha especial, a normalmente discreta Maristela Kubitschek, filha adotiva de JK. Em seguida, foi a vez da Porto da Pedra também se apresentar para a disputa. Foi quando o lobby da Beija Flor, até então alheia à proposta de Arruda, decidiu entrar na briga. E o fez pelas mãos de Ricardo Marques, ex-secretário de Cultura do DF durante o mandato-tampão de Maria Abadia, do PSDB, em 2006. Amigo de Joãosinho Trinta, a quem costuma abrigar em Brasília, Marques começou a girar a roda da fortuna a favor da família do bicheiro Aniz Abraão David.
A intermediação política a favor da Beija Flor no GDF foi reforçada pelo deputado federal Simão Sessim (PP-RJ), primo do bicheiro Anísio e pai do atual prefeito de Nilópolis, Sérgio Sessim, também do PP. A partir de então, a Empresa Brasiliense de Turismo (BrasiliaTur), responsável pelo contrato, estabeleceu como critério que as escolas postulantes tivessem estado entre as cinco melhores colocadas no ranking do carnaval carioca, nos últimos três anos. Com isso, Mocidade Independente de Padre Miguel e Porto da Pedra foram eliminadas, sumariamente.
Em maio passado, o vice Paulo Octávio foi a Nilópolis beijar o estandarte da Beija Flor, depois de ser procurado por outro intermediador de peso, Aloysio Legey, da TV Globo. Por 23 anos, Legey foi responsável pela transmissão do carnaval carioca na emissora da família Marinho, cargo do qual se afastou, no início do ano, por supostas desavenças profissionais internas. No fim das contas, a escola do bicheiro Anísio acabou por conseguir o patrocínio de 3 milhões de reais do governador Arruda sem precisar fazer muito esforço. Isso porque, inexplicavelmente, quatro outras grandes escolas do Rio – Portela, Salgueiro, Grande Rio e Unidos da Tijuca – abriram mão da competição na última hora.
Fazer a Beija Flor desfilar as cores de Brasília é parte de uma estratégia de marketing bolada para dar visibilidade ao cinqüentenário da capital, um dos trunfos políticos do governador Arruda. Para tal, conta com a ajuda do vice Paulo Octávio, também secretário de Turismo, a quem está subordinada a BrasiliaTur – um órgão louco por tertúlias caras. De fato, em 2008, apenas com festas e homenagens, o GDF gastou 26,1 milhões de reais, quatro vezes mais do que o ano anterior. Em 2009, até o final de agosto, 47,1 milhões de reais tinham sido gastos com shows e outras comemorações, segundo levantamento feito pelo Siggo, o sistema de acompanhamento de gastos do GDF disponibilizado aos deputados distritais. Os carnavalescos de Brasília estão longe de receber a mesmo tratamento dado à família do bicheiro Anísio, no Rio. No dia 6 de outubro passado, o presidente da União das Escolas de Samba de Brasília, Frederico Pereira, foi avisado pela BrasiliaTur que a verba prevista para ser distribuída às 18 escolas do Distrito Federal seria diminuída de 3,4 milhões para 2,8 milhões de reais – sem direito a adiantamento, como no caso da Beija Flor.
Ou seja, no carnaval de Brasília, folia mesmo, só com a grana do contribuinte.
Mais textos de Leandro Fortes na Carta Capital e no seu blog http://brasiliaeuvi.wordpress.com/
Folia terceirizada
Leandro Fortes
O carnaval de Brasília é um horror. Você pode defender muita coisa por aqui – o verde, o céu, o sol, a chuva, a paz, a tranqüilidade, as pistas largas – menos o carnaval. Primeiro porque, todo ano, chove no carnaval. É sempre uma festa mixuruca, mantida por uns poucos foliões recalcitrantes dispostos a colocar nas ruas um simulacro de desfile de escolas de sambas que não passam de um arremedo, quando não uma versão maltrapilha, das escolas de samba do Rio de Janeiro e, vá lá, de São Paulo. O carnaval daqui é tão ruim, que nem o governador José Roberto Arruda, do DEM, empenhadíssimo em comemorar o cinqüentenário da capital federal, em 2010, se arriscou a bolar alguma coisa especial para a folia do ano que vem. Preferiu, na verdade, financiar uma escola do Rio, a Beija Flor, e financiar seus dirigentes, capitaneados por um bicheiro condenado pela Justiça, com dinheiro do contribuinte local.
Na imprensa de Brasília não se lê uma só linha a respeito, mas há pouco menos de dois meses, em 29 de setembro, o banqueiro do jogo do bicho Aniz Abraão David, 65 anos, presidente de honra da escola de samba Beija Flor de Nilópolis, do Rio de Janeiro, recebeu um cheque de 1,5 milhão de reais do governo do Distrito Federal. Até o carnaval do ano que vem, Anísio, como é conhecido o bicheiro, deverá receber outros 1,5 milhão para colocar na avenida o samba enredo “Brilhante como o sol do novo mundo, Brasília do sonho à realidade, a capital da esperança”, em homenagem à criação de Juscelino Kubitschek – que aliás, deve estar se remexendo no túmulo diante de tal homenagem. É também, certamente, por achar que isso é bastante dinheiro público na mão de um contraventor cuja ficha policial daria para cobrir parte considerável da Marquês de Sapucaí.
Aniz Abraão foi preso, pela primeira vez, em 1993, durante um histórico arrastão judicial comandado pela juíza Denise Frossard, no Rio de Janeiro, contra os principais chefes do jogo do bicho no estado. Condenado a seis anos de prisão, ficou apenas três anos na cadeia, de onde foi libertado por bom comportamento. Em abril de 2007, no entanto, Anísio voltou a ser preso, desta vez pela Polícia Federal, durante a Operação Hurricane, acusado de ligação com a máfia de contrabando de máquinas ilegais de caça-níqueis. Libertado por uma liminar do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, também passou pouco tempo na cadeia. Em outubro de 2008, passou outra rápida temporada no xadrez, acusado de lavar dinheiro da mesma máfia carioca, mas em Natal, no Rio Grande do Norte.
Vale lembrar que entre os registros da Operação Hurricane a PF apresentou grampos telefônicos onde Aniz Abraão faz ameaças a jurados e seus familiares para forçá-los a dar o título de campeã do carnaval 2007 – o que, de fato, aconteceu.
Mesmo com essa ficha corrida, Aniz Abraão David foi colocado no centro de uma negociação nebulosa na qual se envolveram também o irmão dele, Farid Abraão David, presidente-executivo da Beija Flor, o governador do DF, José Roberto Arruda (DEM), o vice Paulo Octávio Pereira (DEM), a Liga das Escolas de Samba do Rio (Liesa), carnavalescos de Brasília, uma filha de JK, um executivo da TV Globo e um apadrinhado do carnavalesco Joãosinho Trinta, um dos símbolos da escola de Nilópolis. A primeira escola de samba carioca a se interessar pela carnavalesca oferta de recursos distritais foi a Portela, em fevereiro de 2008. Na época, um dos dirigentes da escola, Carlos Monte, pai da cantora Marisa Monte, mandou um pré-projeto de samba enredo ao governador Arruda, antes mesmo do anúncio oficial do GDF. Em seguida, formalizada a disposição do governo local, veio a Brasília o presidente da Portela, Nilo Figueiredo, para se reunir com o vice Paulo Octávio, casado com uma neta de JK, Anna Christina Kubitschek. Mas o peso familiar do criador de Brasília só foi sentido mesmo uma semana depois, quando outra escola de samba do Rio, a Mocidade Independente de Padre Miguel, se interessou pelo patrocínio oferecido pelo governo do Distrito Federal. Os dirigentes da escola se apresentaram para a disputa na capital com uma madrinha especial, a normalmente discreta Maristela Kubitschek, filha adotiva de JK. Em seguida, foi a vez da Porto da Pedra também se apresentar para a disputa. Foi quando o lobby da Beija Flor, até então alheia à proposta de Arruda, decidiu entrar na briga. E o fez pelas mãos de Ricardo Marques, ex-secretário de Cultura do DF durante o mandato-tampão de Maria Abadia, do PSDB, em 2006. Amigo de Joãosinho Trinta, a quem costuma abrigar em Brasília, Marques começou a girar a roda da fortuna a favor da família do bicheiro Aniz Abraão David.
A intermediação política a favor da Beija Flor no GDF foi reforçada pelo deputado federal Simão Sessim (PP-RJ), primo do bicheiro Anísio e pai do atual prefeito de Nilópolis, Sérgio Sessim, também do PP. A partir de então, a Empresa Brasiliense de Turismo (BrasiliaTur), responsável pelo contrato, estabeleceu como critério que as escolas postulantes tivessem estado entre as cinco melhores colocadas no ranking do carnaval carioca, nos últimos três anos. Com isso, Mocidade Independente de Padre Miguel e Porto da Pedra foram eliminadas, sumariamente.
Em maio passado, o vice Paulo Octávio foi a Nilópolis beijar o estandarte da Beija Flor, depois de ser procurado por outro intermediador de peso, Aloysio Legey, da TV Globo. Por 23 anos, Legey foi responsável pela transmissão do carnaval carioca na emissora da família Marinho, cargo do qual se afastou, no início do ano, por supostas desavenças profissionais internas. No fim das contas, a escola do bicheiro Anísio acabou por conseguir o patrocínio de 3 milhões de reais do governador Arruda sem precisar fazer muito esforço. Isso porque, inexplicavelmente, quatro outras grandes escolas do Rio – Portela, Salgueiro, Grande Rio e Unidos da Tijuca – abriram mão da competição na última hora.
Fazer a Beija Flor desfilar as cores de Brasília é parte de uma estratégia de marketing bolada para dar visibilidade ao cinqüentenário da capital, um dos trunfos políticos do governador Arruda. Para tal, conta com a ajuda do vice Paulo Octávio, também secretário de Turismo, a quem está subordinada a BrasiliaTur – um órgão louco por tertúlias caras. De fato, em 2008, apenas com festas e homenagens, o GDF gastou 26,1 milhões de reais, quatro vezes mais do que o ano anterior. Em 2009, até o final de agosto, 47,1 milhões de reais tinham sido gastos com shows e outras comemorações, segundo levantamento feito pelo Siggo, o sistema de acompanhamento de gastos do GDF disponibilizado aos deputados distritais. Os carnavalescos de Brasília estão longe de receber a mesmo tratamento dado à família do bicheiro Anísio, no Rio. No dia 6 de outubro passado, o presidente da União das Escolas de Samba de Brasília, Frederico Pereira, foi avisado pela BrasiliaTur que a verba prevista para ser distribuída às 18 escolas do Distrito Federal seria diminuída de 3,4 milhões para 2,8 milhões de reais – sem direito a adiantamento, como no caso da Beija Flor.
Ou seja, no carnaval de Brasília, folia mesmo, só com a grana do contribuinte.
Mais textos de Leandro Fortes na Carta Capital e no seu blog http://brasiliaeuvi.wordpress.com/
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Correio Braziliense e o Noroeste
A manchete do Correio Braziliense de hoje, dia 17 de novembro é a seguinte: "Uma quitinete por um milhão". Trata-se de mais uma matéria sobre o alto valor dos imóveis no Setor Noroeste.
Por coincidência, o primeiro texto de um colaborador recebido ontem falava justamente sobre o assunto.
"Em tempos em que Ecologia deixou de ser papo de ambientalistas radicais, fico emocionado ao ver o lançamento do bairro mais ecológico do Brasil: o Setor Noroeste.Entitulá-lo assim é de uma cara de pau sem precedentes. Primeiro ocupam uma área de preservação e a destroem. Depois vêm com esse papo de bairro ecológico?Brasília seria a terra que emanaria leite e mel, segundo o sonho de Dom Bosco. Mas como isso será possível com tanto concreto?
Sobre a campanha do jornal a favor da criação do bairro, eis o link:
http://brasil.indymedia.org/media/2009/08//452273.pdf"
O link leva para um trabalho de Alan Schvarsberg que analisa a cobertura do Correio Braziliense do lançamento do Noroeste. Entre vários dados interessantes, o autor traz o valor da publicidade no jornal. Será importante para próximas discussões.
Por coincidência, o primeiro texto de um colaborador recebido ontem falava justamente sobre o assunto.
"Em tempos em que Ecologia deixou de ser papo de ambientalistas radicais, fico emocionado ao ver o lançamento do bairro mais ecológico do Brasil: o Setor Noroeste.Entitulá-lo assim é de uma cara de pau sem precedentes. Primeiro ocupam uma área de preservação e a destroem. Depois vêm com esse papo de bairro ecológico?Brasília seria a terra que emanaria leite e mel, segundo o sonho de Dom Bosco. Mas como isso será possível com tanto concreto?
Sobre a campanha do jornal a favor da criação do bairro, eis o link:
http://brasil.indymedia.org/media/2009/08//452273.pdf"
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domingo, 15 de novembro de 2009
Os motivos do blog
O Correio Braziliense é o maior jornal do Distrito Federal. E durante muito tempo foi um bom jornal. Mas nos últimos anos o jornal começou a perder a noção do que é o bom jornalismo. Principalmente no que se refere à cobertura da política do Distrito Federal. As notícias do governo Arruda, por motivos financeiros que trataremos nos próximos posts, é totalmente conivente. Na última semana, o jornal chegou ao cumulo de colocar uma foto do governador depois de uma operação, de pijama e com a perna para cima. Seria algo normal para um jornal preocupado com a sobrevivência. Mas a edição deste domingo trouxe uma surpresa, algo que nem o mais crítico esperava: a Primeira Dama Flávia Arruda foi colocada na capa da Revista da TV! O motivo? A estréia de um programa sobre projetos sociais na TV Bandeirantes. É por conta deste tipo de jornalismo que resolvemos declarar ao mundo nosso descontentamento com o Correio Braziliense. Se você faz parte do grupo dos descontentes, escreva e participe! A capital do país merece um jornal que pratique o bom jornalismo.
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